Mais um ano chega ao final ,e a cronológica técnica de contar dias se faz presente , é fim de ano , é fim de mês , é fim da vida , é começo da vida, e aos poucos os anos se empilham em nossas costas, para esquecer tanta inocência aprendemos a comemorar a comer o ano que passou e vomitar o ano que está para chegar .
No meio de tantas leis naturais , aprendemos a prometer para nós mesmo que no ano que vem , tudo será diferente , que não vamos mais cometer antigos erros clássicos , que seremos mais calmos , mais pacientes que iremos aprender antigas lições dadas por nossos pais , professores , guias religiosos e ate mesmo acontecimentos que de alguma forma nos tornam lições , mas quem somos nós no horizontes de nossas promessas , de nossas mentiras internas , de nossas crises de baixa estima , de nossos núcleos
sociais carregados de espelhos ambulantes .
O ano que vem , o ano que passou , os anos que viram , sinais cronológicos no qual somos somente vitimas e mais nada , um emaranhado de cálculos matemáticos do qual para nada nos servem , olhas só para o calendário na sua parede , todo dia de manhã você olha ele , e sente algo ruim , a data do próximo boleto, o prazo para trocar a bateria do seu carro , o dia do aniversário do seu irmão e tantas outras coisas que nos deixam sem chão só de pensar .
Quando eu tinha 6 anos eu via meu pai olhar o calendário atento , de alguma forma aquilo deixava ele meio que angustiado , eu via nos olhos dele que o tempo para ele , era como se fosse uma punição pelos erros que ele nem cometeu , o tempo passou e hoje quando olho o calendário eu sinto a mesma coisa ,uma estranha sensação de que tudo está perdido , e que não se tem tempo para mais nada , há não ser esperar a morte chegar.
O ano novo é assim , implacável , destemido , imperdoável , difícil de lidar , e muitas vezes pré anunciador de grandes derrotas em nossas vidas , mas vamos em frente , vamos com nossos caminhões lotados de otimismo, vamos encher os salões de alegria , as ruas de risadas sem nexo , vamos promover altas rodas regradas a álcool e perfume , vamos matar os poetas e dar o crédito aos capitalistas de plantão , vamos dar nossas caras aos tapas do destino e assumir nossas culpas pelos momentos bem ou maus vividos , vamos festejar e esperar o ano acabar , e quando o próximo ano chegar , vamos aceitar que com ele o que aconteceu no que passou , tem grande chance de se repetir , porque no fundo , somos todos humanos e no final somos todos racionais !
Feliz ano novo !!!
Fernando Gimenez
