terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

VERDADE URBANA. . . .

VERDADE URBANA . . ..

   Até hoje ,ainda ando pelas ruas , tento fotografar na minha memória cansada os pedaços de ruas que encontro pelo caminho , sinto em cada
calçada quebrada , em cada via esburacada que a as ruas se fazem em mim,
e eu me faço nelas.
   Converso com os mendingos calados , com os loucos alucinados , pergunto sobre o dia do amanhã , eles me compreendem e eu os idolÁtro, o medo que residia neles, agora é passado , o medo que reside em mim, todos os dias se faz presente.
   As pessoas , os carros , os animais em curso pela rua , todos com um objetivo pleno de chegar , chegar em algum lugar , mas é mera lógica , todos nós, estamos indo para o mesmo lugar.
   Não tento ter iluzões , a rua por si só , é uma grande iluzão , as mentiras em placas de neon , não me deixam esquecer nunca quem eu realmente sou , e a indecifrável linguagem da convivência nos carrega dia após dia ,a rua me leva , e eu me deixo levar por ela.
   Não existe saída para quem se entrega , não existe compreenção para que se nega a entender , e o fato de viver e chegar ao fim do dia nos faz sentir vencedores , vencendo dia após dia , morrendo e nascendo dia após dia .
   Somos loucos somos perdidos , estamos em conflito com o nosso interior , estamos na rua , e o que mais importa, é sentir que  o dia morre na noite ,e nada pode ser mudado sobre esta verdade.
    Um abrigo , um pedaço de construção sem fim , uma igreja , um louco dizendo verdades , uma mulher atravessando a rua , um pedestre que se joga embaixo do caminhão em fúria , uma vitrine , vários bÊbados na calçada tentando atravessar a rua há anos , muitos sonhos muitos desenganos , e a rua segue tranquila , sobre o olofote da burguesia em extase , sobre a proteção do camelô , a rua segue em seus centenários anos de existência .
    EU acredito nas verdades da rua , e sobrevivo delas ,entendo os perdedores e aplaudo sem culpa os que venceram na rua , mas acredito no acaso da vida , e me coloco em paz , me compreendo ,me encontro e me sinto vivo , (apesar de estar praticamente morto,)...  todas as vezes em que, estou na rua.
   FERNANDO GIMENEZ
   CRÔNICAS E DELIRIOS. . . . .
   Fernando GIMENEZ

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