sábado, 30 de junho de 2012

AMOR e seus desentendimentos. . .


   
       Peguei o trem para Minas , quem pagou a passagem foi meu pai ,
  sem direito a dizer não , levado pelas condições então vividas , meu
  pai de dó me colocou no trem ,direto para MINAS GERAIS , e bem
  lá no meio de tantos desenganos , sem me entender eu caminhei ,
  pelas sete colinas , pelos sete dias da semana , por todos os anos que
  eu pude viver por lá .
     Conheci os homens de lá , as mulheres de lá ,  os meninos de lá ,
  eu os amava muito , eu queria ser eles , mas de alguma forma eu não
  era , por algum motivo qualquer , eu só era uma peça desencaixada ,
  naquele quebra cabeça de ilusões .
      Só um menino , pequeno e arrependido , que não sabia quem era
  ou quem poderia ser , era pequeno demais para saber de tudo , e o
  tudo sempre foi muito para mim , mas não foi possível saber , não
  foi dado a mim a chande de saber , de entender o nada , de compreender
  o pouco de me deixar ser igual ou mais um naquele universo de dores .
     Menino só , perdido , subindo e descendo os morros de MINAS , no meio
  de tantas promessas , não deu para ser nada , não teve como ser nada a não
  ser eu  mesmo , um menino só.
    O barulho da rodoviária , a tristeza da despedida , a solidão , os desencontros
  o eterno medo de avião , estes sim , nunca me deixaram , sempre estiveram comigo,
  me mostrando claramente que eu sou , e quem eu talvez seja para o resto de minha vida.
     Andar por entre os carros sempre me seduziu , ver a rua , ver os homens e seus desati-
nos , sempre meu deu um certo prazer , mas o que eu sinto falta mesmo é de caminhar
pela cidade ,caminhar por entre aquelas ruas mortas , com igrejas mortas , e pessoas
mortas  .
    SÓ um menino , ou um menino só , talvez é isso que eu sou até agora , ate hoje,
  caminhando pelas ruas da cidade , indo e vindo com a cabeça cheia de dúvidas , dúvidas
inexplicáveis , é o preço que se paga , quando não se nasce carimbado pelas linhas
sagradas de qualquer DNA á venda , é o amor do que carece e a dor do que acoberta ,
é a vida de quem se doa , e morte de quem foi doado , é o laço , é um pedaço da placenta
que faz toda diferença para o pagão mau resolvido .
     Peguei um trem , em nome do amor , ele parou em uma estação , era para ser temporário
durou até hoje , talvez eu esteja errado , ou talvez eu nem esteja pensando , na dor
de quem ama , na dor de quem não consegue amar.
   
      Fernando Gimenez

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