Se eu respirasse o ar de CARLOS DRUMOND DE ANDRADE , eu talvez fosse um pouco mais mineiro que sou , talvez eu entendesse o apelo triste e melancólico que nos faz acreditar na cultura
do amor mais puro do mundo,se pelas minhas veias sem origem certa tivesse o sangue dos nelores em suas pastagens verdes , quem sabe eu desse mais valor a cultura do amor mais puro do mundo.
Se um dia destes cinzentos , eu parasse para lembrar do sol que todo dia batia em meu telhado , talvez eu hoje tivesse menos motivos para não esquecer meu passado , se por ventura o chão que eu piso agora fosse uma terra vermelha lá do triângulo mineiro quem sabe , eu até pudesse falar com propriedade sobre coisas tão puras , ou quem sabe falar do amor mais puro do mundo.
Se no código secreto que DEUS não me deixou fazer parte ,estivesse aqueles cromossomos com marca registrada , que meus fieis companheiros ou irmãos postiços tem , quem sabe , eu não estaria tão perdido como estou hoje.
TODAS as vezes que eu olho para aquele menino de olhos claros , eu sinto o que me falta , eu sinto o que eu sempre busquei e nunca encontrei , aquele menino sorri com um certo ar de soberba , mas ele pode fazer isso, porque ele tem no seu interior o tão sonhado código secreto , a ligação supra real que o faz saber sem perceber que está no lugar certo.
É como se fosse uma grande chave para um mistério sem solução , pois quem vive em mim sou eu , quem vive por mim , pode ser qualquer um, qualquer um que tenha por primazia o conceito da pena estabelecido em si só.
Se por algum motivo eu respirasse o mesmo ar que CARLOS DRUMOND DE ANDRADE , com certeza eu não estaria aqui agora, talvez eu estivesse dormindo , esperando o dia chegar , refazendo a vida a cada instante , tendo nobres motivos para não precisar apelar para a fuga , toda vez que me sentisse só , se eu comece da mesma comida dos sãos , quem sabe agora eu não estivesse preso dentro de minhas deficiências , amargando cada resto de mim nas latrinas da solidão.
Não quero mudar o mundo ao meu redor , quero me mudar ao redor do meu mundo , a visão que me afeta agora não é o contexto real e sim o espelho da minha cabeça , este sim me condena todos os dias , o implacável espelho ,ele não me deixa esquecer nem um momento se quer quem realmente eu sou .
Não estou perdido , porque na verdade nunca me encontrei , e para ser honesto eu não desejo mesmo me encontrar , tenho medo de mim mesmo e sei que sou capaz de mentir para mim mesmo , por isso me deixo por ai .
AH! SE EU RESPIRASSE O MESMO AR QUE CARLOS DRUMOND DE ANDRADE.
Fernando Gimenez

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